OLHOS SELVAGENS
Estou diante do espelho.
Meus olhos estou examinando.
São incomuns.
Talvez a cor violeta.
Faço uma careta.
São olhos selvagens.
Olhos de bicho acuado.
Guardam o passado.
Andaram beijando as flores dos meus
caminhos.
Se ferindo nos espinhos.
Por vezes são tão esperançosos e
luminosos.
Se alimentam de sonhos.
Quando eu era criança as pessoas
diziam.
São tão diferentes os olhos desta
menina.
Trazer toda força d’alma a eles é a
minha sina.
Um dia... sob a terra... estarão
cerrados.
Na eternidade... guardados.
SONIA DELSIN

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