PINTAGOL
Ele já foi meu.
Num tempo que eu não entendia
direito a dor de ser prisioneiro.
Um dia descobri que a prisão era
triste demais.
E não o quis mais.
Seu canto era algo que me
fascinava.
Mas descobri que me entristecia.
Presenteei-o ao meu pai.
Ele se foi e não senti falta.
Ficaram os piados dos pardais.
Pardais livres.
E meu beija-flor, meu hóspede.
Às vezes eu o via na casa de meus
pais.
Ouvia seu canto e achava que lá ele
estava mais feliz.
Gostava dos novos donos.
Um dia eles saíram e quando
voltaram a gaiola estava no chão.
Ele não estava mais lá.
Não se sabe se foi um gato. Um
gatuno.
Só se sabe que a gaiola ficou
vazia.
Será que ele foi para o céu dos
passarinhos?
Será que está em outra casa se
adaptando a novos donos?
Onde andará o lindo pintagol?
Nunca mais ouvirei seu canto lindo.
Nunca mais ele baterá as asas com a
minha aproximação.
Mas isto não importa.
Ele ficou dentro do peito.
É parte das minhas recordações.
Passou por minha vida.
Já acabou...
SONIA DELSIN
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