terça-feira, 22 de janeiro de 2013




PINTAGOL

Ele já foi meu.
Num tempo que eu não entendia direito a dor de ser prisioneiro.
Um dia descobri que a prisão era triste demais.
E não o quis mais.
Seu canto era algo que me fascinava.
Mas descobri que me entristecia.
Presenteei-o ao meu pai.
Ele se foi e não senti falta.
Ficaram os piados dos pardais.
Pardais livres.
E meu beija-flor, meu hóspede.
Às vezes eu o via na casa de meus pais.
Ouvia seu canto e achava que lá ele estava mais feliz.
Gostava dos novos donos.
Um dia eles saíram e quando voltaram a gaiola estava no chão.
Ele não estava mais lá.
Não se sabe se foi um gato. Um gatuno.
Só se sabe que a gaiola ficou vazia.
Será que ele foi para o céu dos passarinhos?
Será que está em outra casa se adaptando a novos donos?
Onde andará o lindo pintagol?
Nunca mais ouvirei seu canto lindo.
Nunca mais ele baterá as asas com a minha aproximação.
Mas isto não importa.
Ele ficou dentro do peito.
É parte das minhas recordações.
Passou por minha vida.
Já acabou...

SONIA DELSIN

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