DORES
Elas chegam.
Se instalam.
Martirizam.
Deus!
Eu quisera ignorá-las.
Quisera crer na inexistência delas.
Mas elas custam a ir.
E aumentam a intensidade.
E alucinam minhas noites.
São tão intensas!
Fico esperando uma a uma
desaparecer.
E novamente elas voltam.
Os medicamentos as expulsam por um
tempo.
Outras vezes diminuem a
intensidade.
E às vezes nem fazem efeito.
Quanto mais as temo mais elas
chegam.
Então rezo baixinho e choro.
Enterro a face no travesseiro
E o mordo, mastigo.
Como se fosse a própria dor que
mastigasse.
Cerro os dentes a mandíbula dói.
Quando consigo livrar-me delas.
Então busco dentro de mim aquele
outro Eu.
Aquele que conseguia controlar-se.
Aquele que sabia com as mãos
espantar as dores.
SONIA DELSIN
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