MANSAMENTE
Quero ser de paz. Mansa e suave.
Quero que o meu semblante calmo não
seja apenas uma fachada.
Porque o vulcão ferve dentro de mim
e eu me mantenho impassível.
Quero viver mansamente. Levemente
como uma pluma.
Indo ao sabor do vento. Descendo
estradas. Subindo morros.
No azul esplendoroso quero ser uma
pena flutuando.
Um pássaro voando suavemente.
Pairando no ar.
Quero ser uma criatura dócil, mas é
tão difícil.
Porque às vezes consigo ser suave,
meiga.
Mas de repente meu sangue ferve e
eu me transformo.
De dócil fico tão indócil. Nem
pareço mais eu mesma.
Fervo, estouro. Então tudo volta ao
normal.
Contrastam-se dentro de mim dois
seres distintos.
E às vezes nem sei quem sou.
SONIA DELSIN
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