terça-feira, 22 de janeiro de 2013




PARA  UMA  MENINA

A menina perdeu a inocência.
Perdeu o jeito doce.
Só restou um ar zombeteiro.
Do que ri a menina?
Da descoberta.
Perdeu a marca da pureza.
Perdeu o ar de menina.
E ainda é uma menina.
Quer queira, quer não.
É tão pouco mulher.
E quer ser mulher.
Quer abraçar o mundo.
E descobrirá um dia...
Descobrirá  que perdeu tudo.
Num simples gesto de entrega.
Entregou demais a menina.
E não há como mudar isso.
Há ou não há entrega.
Há hora para tudo nesta vida.
E a menina não esperou a sua.
Que pressa tem a menina!
Que pressa de deixar de ser.
Que pressa tem a menina de crescer.
Descobre um dia, frustrada.
Que de outro modo é que devia ser.

SONIA DELSIN

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