terça-feira, 22 de janeiro de 2013




A MULHER QUE NUNCA SORRIA

Eu me perguntava sempre qual era a razão de seu semblante fechado.
Dores do passado?
O que ela teria guardado?
Nunca eu vira um sorriso seu.
Não era problema meu.
Mas eu me preocupava.
Não perguntava.
Um dia ela se abriu.
Me contou de alguém que partiu.
Me contou de uma casa de campo, de um rio.
Ele morrera lá naquele sítio amado.
Viu seu mundo desabado.
Eu quis consolá-la.
Como?
Eu podia mostrar que sempre existe outro dia.
Que sempre poderá voltar a alegria.
Só pude me calar, vendo tanta dor no seu olhar.
Mas eu dia haveria de passar.
Ninguém pode passar a vida inteira a chorar.

SONIA DELSIN 

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