A
MULHER QUE NUNCA SORRIA
Eu
me perguntava sempre qual era a razão de seu semblante fechado.
Dores
do passado?
O
que ela teria guardado?
Nunca
eu vira um sorriso seu.
Não
era problema meu.
Mas
eu me preocupava.
Não
perguntava.
Um
dia ela se abriu.
Me
contou de alguém que partiu.
Me
contou de uma casa de campo, de um rio.
Ele
morrera lá naquele sítio amado.
Viu
seu mundo desabado.
Eu
quis consolá-la.
Como?
Eu
podia mostrar que sempre existe outro dia.
Que
sempre poderá voltar a alegria.
Só
pude me calar, vendo tanta dor no seu olhar.
Mas
eu dia haveria de passar.
Ninguém
pode passar a vida inteira a chorar.
SONIA DELSIN
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